Para opositores, privatização da Sabesp fere interesses do povo paulista

Para críticos do processo de privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), repassar o controle acionário da empresa para o setor privado é um verdadeiro soco no estômago do povo paulista. Ainda, de acordo com eles, a Sabesp é um patrimônio estadual e, portanto, jamais poderia ser vendida para grupos poderosos financeiros privados como está em andamento por obra do governador, Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos).

Na prática, os impactos negativos da provável privatização da companhia foram discutidos durante plenária (foto) organizada pelo coletivo do vereador de Ferraz de Vasconcelos, Claudio Ramos Moreira (PT), na sexta-feira, à noite, dia 1º, na Câmara Municipal, no centro da cidade. Aliás, o petista (foto), o assunto exige a conscientização da população dos perigos que representam a entrega da Sabesp para a iniciativa privada e, por isso, o tema precisa ser difundido para o Alto Tietê e o restante do Estado. Hoje, a Sabesp atua em 375 cidades paulistas.

Para Francisca Adalgisa da Silva (2ª esq), da Associação dos Profissionais Universitários da Sabesp, a pauta da privatização da empresa vem sendo distorcida e forçada pelo governo paulista. Segundo ela, a Sabesp é uma companhia respeitada no país e fora dele e a venda deste patrimônio público não é a saída mais indicada. “Trata-se de uma empresa rentável e que desempenha um papel social e ambiental muito importante”, diz. O Estado quer ainda se livrar da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e do Metrô.

Já o conselheiro do Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento (Ondas) e mestre em planejamento e gestão do território, Amauri Pollachi (1º esq-acima) afirmou que a privatização vai significar o fim da Sabesp. “A água é um direito e não pode ser ignorada pelos governantes”, destacou. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema-SP), José Faggian, acrescentou que Tarcísio de Freitas é um adepto da teoria do estado mínimo. “Com a privatização não haverá a universalização da água e esgoto” alertou.

                                  Receita bilionária

Um dos atuais líderes do presidente Lula na Câmara dos Deputados, Carlos Zarattini (PT-SP) observou que os movimentos sociais são estratégicos para pressionarem a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) a votar contra o projeto de privatização da Sabesp para o setor privado. O também petista e membro da Frente Parlamentar em Defesa da Sabesp, o deputado estadual Antônio Donato (esq) chamou o governador de entreguista. Para ele, em 2022, a companhia arrecadou R$3,1 bilhões. Somente em Ferraz, a receita atingiu R$80 milhões, no ano passado.

Por Pedro Ferreira, em 04/09/2023.