APAE fechará as portas se não assinar convênio com a Saúde

Por falta da assinatura de um convênio no valor de R$12 mil mensais com a Secretaria Municipal da Saúde de Ferraz de Vasconcelos, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) da cidade (foto) corre o sério risco de fechar as portas. Por não ter dinheiro para manter a área clínica, a entidade filantrópica foi obrigada a suspender parcialmente o atendimento há quatro meses. Com isso, de um total de 76 usuários, hoje, apenas 22 continuam recebendo tratamento psicológico, graças à boa vontade de uma profissional que já ameaça largar o barco por estar sem salário.

Segundo a diretora da APAE, Lara Benuti Nunes, justamente, por não ter verba para pagar os salários em dia da equipe clínica, uma fisioterapeuta e uma fonoaudióloga pediram demissão no fim do ano passado, ambas com mais de dez anos de serviços prestados na instituição.  Com isso, caso a psicóloga também pare de atender os 22 pacientes que restam, não haverá outra medida a ser adotada que não seja o encerramento das atividades do órgão iniciadas, em 2006. Além dessa servidora abnegada, uma assistente social atua, bravamente, na equipe clínica.

A diretora acrescentou ainda que em janeiro deste ano foram dispensadas 18 famílias porque o convênio da Assistência Social, apesar de pleiteado não foi aceito pela pasta competente. Na prática, a única parceria com a municipalidade em ordem no momento é da educação que repassa R$36 mil mensais para o atendimento pedagógico de 99 usuários. Por sua vez, parte desse percentual é mantida com recursos oriundos de um convênio com o governo estadual. Além disso, a APAE atende 18 pessoas em curso profissionalizante. Hoje, existe uma lista global de espera de 349 candidatos.

Em 2017, a entidade perdeu uma ajuda financeira de R$1 milhão, da Fundação Itaú para cobrir a sua área física externa e, sobretudo, a piscina por não possuir a escritura definitiva do imóvel onde funciona a sua sede na Rua das Margaridas, 232, na Vila Santa Margarida. Na ocasião, a APAE concorreu à verba com mais 100 entidades. Já a escritura vem sendo prometida pela Prefeitura de Ferraz desde 2013. Além disso, a falta do documento impede o órgão de receber recursos provenientes de emenda parlamentar em todas as esferas.

                                               Cobrança

Para tentar resolver o impasse da não lavratura do convênio com a pasta da Saúde, a Câmara Municipal aprovou um requerimento à municipalidade, na sessão ordinária, na quinta-feira, dia 8. Na reivindicação do vereador, Hodirlei Martins Pereira (PPS), o Mineiro, o Poder legislativo quer ser informado sobre quando será celebrado o acordo com a APAE e qual o atual estágio do pedido feito pela instituição filantrópica, em 2017. Para Mineiro, a entidade está sendo tratada com descaso pela administração da cidade. Ainda, segundo ele, falta vontade política e pulso firme do prefeito, José Carlos Fernandes Chacon (PRB), o Zé Biruta para sanar o problema.

Além disso, ele (foto) acusa a ausência de transporte para os alunos da APAE tendo em vista que o ônibus da unidade encontra-se quebrado. “Na realidade, não existe um olhar humano de agentes públicos, para decidir essas demandas tão prementes”, diz Mineiro. Em setembro de 2017, o vereador Renato Ramos de Souza (PPS), o Renatinho Se Ligue questionou o convênio da Saúde, no entanto, a reivindicação não surtiu efeito. Já o colega Claudio Ramos Moreira (PT) cobrou do governo municipal a entrega da escritura definitiva, contudo, o assunto permanece na estaca zero. Enquanto isso, a entidade mantém o seu trabalho graças à doação de pessoas físicas e jurídicas. Mais informações: (11) 4679-7691.

Por Pedro Ferreira, em 09/02/2018.

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